Declaração do Presidente da ADUENF sobre os últimos acontecimentos da luta salarial


Desculpem-me mas, desta vez, gostaria de fazer o comentário no meu nome e não referenciando toda a diretoria da ADUENF. Primeiramente gostaria de parabenizar a toda a comunidade UENFIANA, em especial aos estudantes, aos membros da diretoria da ADUENF e todos os professores que participaram das atividades realizadas nesta 4ª. Feira. Se hoje temos algo a festejar é o trabalho preparatório que foi realizado pela ADUENF e pelo DCE, além, logicamente, da forma em que os professores e alunos se integraram às atividades planejadas pelas duas entidades. Ontem foi um dia, sem lugar nenhuma a dúvida, que ficará marcado na história desta nossa querida UENF. Quem não participou que se contente com os, sempre incompletos, comentários da imprensa e da diretoria da ADUENF, pois a realidade é sempre mais rica e imparcial do que conseguimos concretizar em poucas letras.

Iniciamos o dia de ontem com uma panfletagem na entrada da universidade, onde chamamos para o ato que aconteceria na quadra; que acabou se transformando numa reunião comunitária que discutiu a realidade e futuro do atual movimento de reivindicações. Para mim foi extremamente reconfortante ver a maturidade e respeito apresentados por quase todos os participantes. O clima reinante foi de construtivo, sem ameaças e ameno, mas firme e com total respeito entre duas categorias que querem o mesmo resultado. Entretanto, ficou clara a existência de divergências no tocante à forma de luta a ser escolhida para continuar o movimento, mais especificamente falando, a Greve. Várias coisas ficaram claras. A primeira delas foi que os estudantes apoiam o pagamento dos 65 % pela dedicação exclusiva. Segundo, que está bem clara a falta de negociação do governo Cabral como principal responsável pelo movimento atual da UENF. Também ficaram claros os motivos que levam aos professores a se sentirem desconfiados em relação ao futuro das negociações. Outro elemento que ficou esclarecido é de que não existe nenhuma relação entre a política de distribuição dos royalties do petróleo e o pagamento da DE. Ainda em relação a esta reunião, ficou claro que não existem diferenças conceituais entre os objetivos da UENF e do DCE. Há ainda que ser salientado que os professores reconheceram a ampla mobilização dos estudantes. Entretanto, os estudantes deixaram claro que não querem greve e apontaram de forma firme, sem ameaças, as consequências que a greve traz para eles neste momento. 

Embora não tenha havido nenhuma votação, ficou marcado um ato para o dia 4/12, onde estudantes e professores aproveitarão a paralisação que foi aprovada na última assembleia da ADUENF para fazer um protesto no Rio de Janeiro, em lugar ainda a ser determinado. Paralelamente, a diretoria da ADUENF deverá marcar uma nova assembleia da ADUENF para o dia 05/12, provavelmente no horário das 10 horas, para avaliarmos os próximos passos da nossa campanha salarial.

Ainda no dia de ontem na parte da tarde, realizamos dois atos; um na Praça São Salvador e outro na BR-101, pois por respeito às informações já veiculadas pela ADUENF entendemos que seria impossível desmarcar a panfletagem no Centro, pois nem todos os professores que participariam a tarde estavam na reunião da manhã. Mas também entendemos que seria fundamental estar ao lado dos nossos estudantes que decidiram fechar a BR-101 para exigir a efetiva abertura das negociações pelo governo do Rio de Janeiro

Iniciamos o showmício na Praça São Salvador às 15:30 com a participação dos "grevemente feridos" e aproveitamos para distribuir um panfleto com perguntas e resposta sobre a situação de crise que hoje envolve a UENF. Mais uma vez fomos muito bem acolhidos pela população de Campos. Às 16:00, todos os professores presentes, após acordo no local, se dirigiram ao Shopping Estrada. O que aconteceu ali foi realmente impressionante Mais de 300 pessoas estavam presentes o fechamento da BR-101, incluindo representantes da ADUENF e do DCE, apoio quase total dos motoristas. È importante frisar que não houve qualquer tipo de altercação nem falta de respeito com o movimento, Provavelmente isto se deu porque tudo foi muito bem organizado, onde a cada 10 minutos liberávamos uma das pistas. O fato é que TODOS OS PRESENTES DERAM UM SHOW DE ORGANIZAÇÃO E CONSCIÊNCIA POLÍTICA. Mais uma vez quem não foi PERDEU UMA ÓTIMA OCASIÃO DE VER COMO SE FAZ UM MOVIMENTO NA PRÁTICA. Os vídeos e fotos estão na internet... Não tenho dúvida em dizer que o fechamento da BR-101, por mais de uma hora, foi uma belíssima resposta à velocidade de tartaruga com que o governo de estado está "negociando" nossas demandas. 

Mas o nosso movimento em defesa dos nossos salários e da UENF não vai parar. O próximo capítulo será na terça-feira (04/12). Aproveito para convidar a todos para que deixem seus nomes na secretária da ADUENF para que possamos decidir quantos veículos serão alugados.



A hora de lutar é essa! Pelo pagamento da D.E.! 
A UENF unida, jamais será vencida!


Campos dos Goytacazes, 29 de Outubro de 2012.

Raul Palacio, Professor da UENF
Presidente da ADUENF

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