Docentes da UENF propõem debate para esclarecer o assunto sobre a expansão em Italva

Redação - em 25/06/2010.

O site italvaonline (http://www.italvaonline.com.br), através do jovem Décio Vieira da Rocha, morador de Italva e estudante da Uenf, conseguiu ouvir a Associação de Docentes da Uenf, através de seu presidente, para tentar esclarecer o que mais existe envolvendo a propalada expansão da universidade em nosso município.

Enviamos nossas perguntas e obtivemos as suas respostas. Acompanhe.

DÉCIO: "- Segue em anexo as respostas do PHD em desenvolvimento regional e Doutor em geografia Marcos Antônio Pedlowski, presidente da ADUENF. Infelizmente não foi possível estar com o presidente do SINTUPERJ, mas creio que as respostas da ADUENF são satisfatórias. Como aluno da UENF e membro de chapa do diretório acadêmico dos estudantes respondo também em nome dos estudantes que a UENF deve sim se expandir, mas deve ser uma expansão que seja efetiva e que consiga manter-se. Sou cidadão Italvense, trabalho com educação e cultura desde sempre e acho que são as palavras chaves para compor uma sociedade sadia. Como que o reitor garante tanto a expansão se ele nem expõe no site da UENF o projeto? NO CONSUNI (conselho universitário) ele não toca no assunto, mas por quê? Queria propor um debate público em Italva onde poderíamos ir prestar os devidos esclarecimentos, um debate com a secretaria de educação e a reitoria seria ótimo para mostrar a verdadeira situação da UENF. Eu como um dos representantes dos alunos e o Professor Pedlowski certamente poderíamos esclarecer o mito desenvolvimentista que está por trás de tudo. Se for possível a publicação das respostas e até se quiser alguma resposta minha como membro do DCE (Diretório Central dos Estudantes) será muito bom para a devida informação dos cidadãos e para que possamos conseguir uma expansão de qualidade. Desde já grato.

Décio Vieira da Rocha.

A ENTREVISTA



Italvaonline - Na opinião da ADUENF e do SINTUPERJ, quais são as chances da expansão da UENF em Italva?

Marcos Antônio Pedlowski - Inicialmente quero esclarecer que posso apenas falar em nome da Aduenf, do qual sou atualmente presidente. Em decisão de assembléia, decidimos que qualquer tentativa de expansão da UENF deveria ser precedida não apenas de uma recomposição salarial de seus servidores, mas também de sua capacidade de custeio que se encontra totalmente comprometida. A verdade é que apenas recompondo salários e tendo os recursos necessários para manter seu padrão de qualidade, a UENF poderá pensar em qualquer tipo de expansão de suas atividades. Do contrário, estaríamos apenas exportando um modelo de universidade sucateado, e que colocaria uma forte pressão sobre os governos municipais que quisessem pleitear a implantação de unidades avançadas da UENF em suas cidades. O problema é que nesta semana que passou o governo Cabral aprovou na Alerj uma mensagem que repôs 22% de perdas salariais apenas dos servidores técnicos, deixando os professores com salários congelados até 2012. Se essa posição do governo não for alterada, creio que teremos um aumento ainda maior no processo de fuga de professores em direção às universidades federais, que pagam hoje quase 40% acima do que a UENF está pagando. Sem professores doutores com dedicação exclusiva, o modelo de excelência que tem nos notabilizado corre sério risco de em vez de expandir, simplesmente implodir. Por outro lado, no caso de Italva, sabemos que a reitoria da UENF tem ido constantemente ao município para supostamente iniciar estudos para a implantação de nossos cursos de graduação na cidade. No entanto, dos sete cursos que foram mencionados para serem instalados em Italva, apenas um deles está em funcionamento em nosso campus principal, e apenas outro está numa fase ainda inicial de estudos para sua criação para funcionar em Campos. Os demais, nem estudo inicial existe e, por isto, não passam de propaganda enganosa. Apesar de tudo o que eu disse, acredito que a reitoria da UENF está realmente pensando em instalar uma unidade em Italva. Resta saber se isto trará resultados positivos ou negativos para a cidade. Da forma que está sendo feito, creio que a chance de Italva estar ganhando um presente de grego é muito alta. O que precisa ser cobrado da reitoria da UENF é um efetivo plano político-pedagógico de expansão. Do contrário, em vez de receber o nosso modelo de excelência, o risco é receber uma versão precarizada e desqualificada.



Italvaonline - As formalidades para a concretização desse projeto não são político/administrativas? Ou então o reconhecimento da necessidade de se expandir a educação especializada para o interior do Estado, portanto, estão acima dos interesses do sindicato e do corpo docente?

Marcos Antônio Pedlowski - Na verdade, como eu já tentei demonstrar na minha resposta anterior, o que a ADUENF está realmente preocupada é com a qualidade da expansão, e não com a expansão em si. Acreditamos que um eventual processo de expansão será benéfico não apenas para a região noroeste, mas também para a própria UENF. O problema é que o mesmo governo estadual que pressiona pelo inicio da expansão, quer nos manter com salários congelados até 2012, e vem paulatinamente diminuindo o valor real do orçamento da UENF. Como fazer mais com menos dinheiro é praticamente impossível sem se comprometer a qualidade, o que as prefeituras interessadas na expansão da UENF deveriam estar cobrando do governo estadual é que aumente o nível de financiamento da instituição e recupere urgentemente o valor dos salários sendo pagos a seus servidores. Sem estas duas ações por parte do governo, essa expansão não passa de propaganda enganosa.

Italvaonline - Outros municípios maiores - por exemplo Itaperuna - que estão interessados na expansão em seus territórios teriam mais chances do que Italva? Marcos Antônio Pedlowski - O problema aqui é que o reitor Almy Junior vem fazendo uma série de gestões com diferentes municípios sem qualquer tipo de prestação de contas aos colegiados superiores que dirigem a UENF. Ao fazer isto, ele pode estar criando a falsa sensação de que expandir a UENF é um processo fácil, quando não é. A criação de um novo curso de graduação, por exemplo, normalmente leva um longo tempo. Além disso, como Italva está sendo citada pela reitoria neste momento, Macaé e Itaperuna já o foram. Eu além de presidente da Aduenf e chefe de um laboratório do Centro de Centro de Ciências do Homem, também sou membro dos dois colegiados principais da UENF (Colegiado Acadêmico e Conselho Universitário). A impressão que fica destas promessas de expansão que o reitor Almy Junior vem fazendo em diferentes municípios é de que estamos diante de uma propaganda de caráter eleitoral do governados Sérgio Cabral, e não de uma proposta séria e responsável de expansão da UENF. Finalmente, é preciso lembrar que o mandato do reitor Almy Junior se encerra no início de 2011 e, na prática está se encaminhando para um final melancólico, já que ele não conta com o devido apoio dentro do campus principal para suas propostas de expansão.



Italvaonline - A resistência do sindicato e associação não seria para forçar aumentos salariais e vantagens para a categoria antes de se investir na expansão? Marcos Antônio Pedlowski - Espero que tenha ficado claro que não apenas os sindicatos, mas uma parcela significativa dos dirigentes acadêmicos possui uma série de críticas a estas propostas de expansão por vê-las descoladas da nossa realidade atual, e pela falta de uma discussão transparente com aqueles que ficarão encarregados de realizar na prática qualquer implantação de unidades avançadas da UENF. No caso de instituições universitárias, esta é uma condição básica para que estas possam se desenvolver de forma sustentável e responsável; Afinal de contas, os exemplos que estamos tendo nas universidades federais com o Programa REUNI mostram que expandir por expandir acaba criando problemas sérios para aqueles municípios que recebem instituições desprovidas da condição mínima de funcionamento. Pode parecer até estranho, mas os sindicatos de professores e servidores vêm ocupando um papel central nas cobranças para que qualquer expansão seja feita de forma a ampliar a qualidade do ensino universitário público em todo o Brasil. E aqui na UENF isto também se dá. Assim, longe de sermos adversários da expansão da nossa universidade, o que exigimos é que isto ocorra de forma correta e séria. Do contrário, o que estaremos ampliando serão apenas os graves problemas a que já nos encontramos submetidos neste momento. Finalmente, quero me colocar à disposição não apenas para responder a outras perguntas, mas a ir até Italva para explicar as nossas idéias a quem quiser entender melhor as críticas existentes a estas promessas de expansão que são feitas pela reitoria da UENF.

* Marcos A. Pedlowski, Presidente da Associação de Docentes da UENF.

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