Professores da UENF defendem autonomia financeira da Universidade

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Na manhã desta quarta-feira (23) a Comissão de Educação da ALERJ se reuniu com alunos, professores, representantes da Associação dos Docentes da Universidade do Norte Fluminense (ADUENF) e o vice-reitor da UENF para dirimir questões básicas sobre o abandono em que a Universidade se encontra. Em pauta estavam temas como o fim da greve; que já dura quatro meses, a autonomia financeira das universidades e melhorias na estrutura.

Segundo a representante do DCE, Ana Carolina Nery, a situação da UENF é calamitosa, o aluno está abandonado e tem que se desdobrar para conseguir sobreviver na faculdade. “Não temos bandejão, não temos auxílio moradia, não temos auxílio alimentação, não temos nada!”, afirmou a estudante em discurso na comissão. 

De acordo com a estudante, a Reitoria não tem se dedicado a resolver o problema dos alunos e tem assumido um papel de defensor do governo. O próprio bandejão, para qual a comissão destinou uma verba de R$ 5 milhões liberada há mais de quatro anos, está com a obra parada e tem gerado revolta entre estudantes.

“Somos obrigados a fazer nossas refeições em lugares muito caros, e não temos sequer auxílio refeição, mais do que querer nós precisamos do bandejão”, disse um dos alunos presentes na audiência.

A deputada Clarissa Garotinho (PR) fez questão de demonstrar seu apoio aos movimentos sociais presentes na audiência. “Os deputados devem ficar ao lado dos movimentos sociais. Os professores precisam do nosso apoio, os alunos precisam do nosso apoio, o governo não precisa”, ressaltou a deputada.

Os problemas da UENF não param nos estudantes. Um dos temas mais debatidos na Comissão foi a autonomia financeira da Universidade, como já acontece em outros Estados, de acordo com a Constituição Federal. A reunião discutiu ainda o fim da greve dos professores que lutam por melhorias nas condições de trabalho. O professor Marcos Antonio Pedlowski fez questão de mostrar sua revolta. “As universidades estaduais do Rio de Janeiro estão em petição de miséria. Um professor Titular da Universidade Estadual da Paraíba ganha R$ 18 mil enquanto o mesmo professor aqui não chega a ganhar R$ 15 mil! Com todo respeito ao Estado da Paraíba mas nós somos a segunda maior economia da Federação. Não podemos passar por isso”, desabafou.

Os professores e alunos garantem que grande parte do caos vivido pela UENF é causado pela insistência do Governo Estadual em não cumprir a Constituição, que diz que 6% do ICMS recolhido seja repassado para as universidades públicas. De acordo com os professores, o governador Sérgio Cabral mantém uma Ação de Inconstitucionalidade despachada com o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes que contesta e impossibilita esse repasse.

O Vice-Reitor Antonio Abel Carrasquilla foi representando o reitor da UENF, que não compareceu a audiência. Abel virou alvo das críticas dos alunos e professores que não se conformam com a passividade com que a reitoria assiste a degradação da Universidade.

A audiência ouviu também os deputados Marcelo Freixo (PSOL), Luiz Martins (PDT) e Jânio Mendes (PDT), além de professores e representantes do Sindicato. 

A próxima reunião da Comissão de Educação será no dia 30 de março e terá como pauta a análise do estatuto da FAETEC.

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