segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DE QUE TEM MEDO O GOVERNO?


Na maioria das vezes, os atos de intolerância são provocados pelo desconhecimento da situação, dos interlocutores, e pelo medo de que nossos erros venham à tona durante a interlocução. A intolerância é o medo do outro, e pior, de si mesmo!
Só o medo de reconhecer seus erros, como a total falta de política pública para o setor de ensino superior, e sua incapacidade de lidar com as demandas e lideranças de uma Universidade autônoma, justifica a postura "avestruz" do Governo do Estado, e da Secretaria de Ciência e Tecnologia em relação a UENF.

Falta coragem ao Governo e seus representantes da secretaria em enfrentar o debate democrático, a possibilidade de recuos e avanços de todo o processo reivindicatório.

Falta sensibilidade de enxergar os prejuízos decorrentes de sua desastrada condução da questão salarial, que podem soterrar gerações de esforço e dedicação à pesquisa e a inovação, fundamentais no jogo de deslocamento de poder que o Brasil e nossa região enfrentarão ao longo dos próximos anos.

Podemos argüir que as demandas são justas ou menos justas, umas possíveis, outras menos, mas o que um governo não pode fazer, sob nenhuma hipótese, até porque seus mandatos decorrrem da NOSSA delegação, aí incluídos os servidores públicos, é ignorar todas as tentativas de negociação, empurrando o movimento para uma paralisação que deteriora, ainda mais, as condições já precárias da Universidade.

Assusta ainda mais o silêncio da classe política local, alguns, como os integrantes da frente de oposição, por manterem-se sob a coleira do governador, outros, como o casal de ex-governadores, porque quando lá estiveram, fizeram pior, portanto, falta-lhes autoridade moral para questionar os desmandos atuais.

Ao que parece, a tarefa que se dedica o governador e seus auxiliares é destroçar o legado de Darcy Ribeiro, dando continuidade ao "excelente" trabalho de seus antecessores, e pelo mesmo motivo:

Medo.

Medo do conhecimento que universidades produzem.

Quem tem conhecimento não pode ser domesticado.