Sindicatos Estaduais Criticam Governo

11 de maio de 2010. Renato Deccache Os sindicatos de professores e funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) rejeitaram os argumentos do governo do Estado para não conceder reajuste salarial este ano. Enquanto a Secretaria Estadual de Planejamento defende que parte das categorias foi beneficiada e que, para a outra, não há como conceder aumentos salariais neste momento, os representantes do funcionalismo das universidades afirmam que há recursos disponíveis. Em assembleia, no dia 29 de abril, a Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), a Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) e o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) decidiram que a negociação salarial será conjunta. Na Uerj, a defasagem estimada é de 80%. Na Uenf, este índice seria de 82%. Segundo os sindicatos, o índice de referência para o cálculo é o do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O governo, porém, não reconhece os índices. Em resposta, no entanto, o secretário estadual de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, afirmou que os professores da Uerj já vêm sendo beneficiados com um plano de carreira, cuja implantação termina no primeiro semestre de 2011, e que prevê reajustes salariais. Ele informou ainda que ocorreu o mesmo com professores da Uenf em 2008. Tanto os docentes de Campos como os funcionários das duas instituições deveriam aguardar, ainda, a aprovação do projeto de lei que redistribui os royalties do petróleo, no Congresso, para negociar novas resposições. As duas justificativas não foram aceitas pelos sindicalistas. Segundo Arnaldo Gama, um dos coordenadores gerais do Sintuperj, as receitas do governo cresceram nos últimos anos. Ele afirma que, pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, que contém a estimativa de receita para os próximos anos, o Estado prevê arrecadar mais R$5 bilhões. "Desde que Cabral assumiu, a receita é superavitária. As contas do governo são muito boas, em todos os tributos", comentou Arnaldo Gama, que não vê na discussão sobre a redistribuição dos royalties do petróleo das novas reservas encontradas na camada Pré-Sal, uma razão para não reajustar os salários. "Se, de fato, chegássemos a uma situação de o Estado não receber nada dos royalties, o governo poderia modificar sua estrutura de despesas, gastando menos com pagamento da dívida e mais com o funcionalismo." O presidente da Aduenf, Marcos Pedlowski, também acredita que o governo tem arrecadação para aumentar os salários. "O reajuste da Uenf demanda R$20 milhões. Gasta-se muito mais em propaganda, por exemplo", afirma. O sindicalista reconhece que os salários aumentaram em função do plano de carreira, implantado em 24 meses, entre 2006 e 2008. Porém, defende que, mesmo com estes ganhos, a defasagem continua em 82%. "Este plano repôs cerca de 30%. Da última vez que fizemos greve, em 2005, o índice de reposição de perdas era de 75%", disse o sindicalista. Na Uerj, a posição é semelhante. Segundo a Associação de Docentes, o plano em curso não contempla a reivindicação de reajuste linear. "Não são reajustes relativos à inflação, aos 82% de perdas que tivemos desde 2001. Queremos reajuste linear, que reponha a inflação, além de implantação de todo o plano de carreira no primeiro semestre deste ano", afirmou Cleier Marcosin, presidente da Asduerj. http://www.folhadirigida.com.br/script/FdgDestaqueTemplate.asp?pStrLink=7,79,0,230760&IndSeguro=0

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